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A SUCESSÃO NAS EMPRESAS FAMILIARES DA SERRA GAÚCHA
 
Falar em sucessão é tratar de um tema delicado, pois geralmente é um momento de muita sensibilidade para todos os envolvidos, em especial para o sucessor e o sucedido. Exige, portanto, além da habilidade de fundadores e herdeiros, processos estruturados para que a escolha do sucessor ocorra de forma apropriada e minimize possíveis impactos no negócio.

Considerando que cada família empresária tem uma história e uma maneira própria de lidar com seus desafios, o IDEF – Instituto de Desenvolvimento da Empresa Familiar, fundado em janeiro de 2017, trabalha justamente a questão da longevidade dos negócios familiares. “Propiciamos maior autonomia e reduzimos a vulnerabilidade dessas empresas nos momentos de passagem do comando de uma geração para outra por meio de fóruns específicos para o desenvolvimento da família”, afirma a professora e pesquisadora Hana Witt, cofundadora do IDEF.

Por ser um tema de difícil abordagem, nem sempre a sucessão é planejada. A pesquisa Retrato das Empresas Familiares da Serra Gaúcha, realizada pelo IDEF, revelou que a maioria das famílias empresárias de Caxias do Sul e de outros quatro municípios da região pesquisados (Bento Gonçalves, Farroupilha, Garibaldi e Flores da Cunha), tem os fundadores no comando dos negócios. Ou seja, ainda não tiveram a experiência do processo de transição para a segunda geração da família, diferentemente dos países europeus que possuem empresas centenárias administradas pela terceira e quarta geração.

Das 103 famílias que responderam às questões da pesquisa, 48% tem gestão compartilhada por fundadores e pela segunda geração, 28% afirmam que a transição aconteceu naturalmente, sem planejamento, e 12% pensam em sucessão num prazo entre três e cinco anos.

De acordo com Hana, o estudo também mostrou que grande parte dos entrevistados não tem um planejamento sucessório e um plano de carreira para a geração futura, apesar de 53% dos fundadores confirmarem o desejo de manter sua família na administração. “Percebemos que o tema se torna ainda mais relevante por conta da importância das empresas familiares para o desenvolvimento social da região, já que elas representam mais de 90% da nossa economia”, complementa.

Discutir o desafio da sucessão, portanto, é colocar em pauta a longevidade dos negócios familiares e o crescimento econômico da Serra gaúcha. Além disso, é aprender a lidar com a difícil mudança da condição de Família Proprietária para a realidade de uma Família Empresária, onde temas como papeis, responsabilidades, direitos e deveres, profissionalização e sucessão passam a fazer parte dos diálogos familiares, tornando a família mais competente para administrar o patrimônio e manter o legado, independentemente do papel desempenhado no negócio.

MAIS SOBRE O IDEF • Com sede em Caxias do Sul, o instituto orienta famílias empresárias em relação ao tema Governança e Compliance, contribuindo para o bom desempenho na gestão familiar. O IDEF desenvolve os seguintes projetos: Cursos e Fóruns de Orientação (crescimento e autonomia); Planejamento Sucessório (longevidade nos negócios e coesão familiar); Grupos de Desenvolvimento (preparando a sucessão – fundadores e herdeiros) e Governança Familiar (estrutura para a continuidade do legado).
 
SOBRE HANA WITT • É engenheira, professora e especialista em Governança Familiar e Compliance. Possui Mestrado em Engenharia de Produção (UFRGS) e Especialização em Gestão de Projetos (FGV). Adquiriu formação internacional no tema Empresas Familiares pela Universitat Abat Oliba, de Barcelona (Espanha). É certificada em Governança Corporativa pela Fundação Dom Cabral, Conselheira de Administração pelo IBGC e Lead Assessor em Gestão da Compliance e Antissuborno pela Academia Tecnológica em Sistemas de Gestão. Tem 23 anos de experiência como executiva na Marcopolo, sendo por 15 anos professora na Universidade de Caxias do Sul (UCS). Nos últimos cinco anos coordenou projetos de desenvolvimento nas empresas familiares por meio dos programas educacionais da Fundação Dom Cabral. Atualmente exerce a atividade de pesquisadora e professora, sendo co-fundadora do IDEF - Instituto de Desenvolvimento da Empresa Familiar.

OUTRAS INFORMAÇÕES
Engª. Hana Witt
Professora, pesquisadora e cofundadora do IDEF
54 99168.4756 • 54 3028.2250
hana.witt@idefamiliar.com.br
www.idefamiliar.com.br
www.hanawitt.com.br



 
         
OS COLONOS ZO SCARPON LANÇA TERCEIRO CD
 
O ano era 2002 e a sensação musical do momento no Brasil eram os Mamonas Assassinas. Aqui na Serra gaúcha, integrantes de grupos musicais conhecidos do público resolveram partir para uma aventura própria e, na onda do sucesso dos Mamonas, criaram um forma divertida de se apresentar nos bailes e nas festas do interior.

Assim nascia o grupo Os Colonos Zo Scarpon, onde os integrantes atuam como personagens. “Na época, nós pensamos em como poderíamos formar um grupo que cantasse as tradicionais músicas italianas, mas com um toque de humor. Pensamos nos figurinos, com trajes de colonos, bem da roça e na nossa apresentação no palco, escolhendo a pessoa certa para interpretar cada um dos personagens. Cantar nem era o mais importante. O que a gente queria era divertir o público”, conta Ben-Hur Toledo, vocalista.

Como num teatro musical, a marca do improviso das encenações, da alegria e da descontração no palco rendem frutos até hoje. Com uma média de dois shows por mês, o grupo que já tem dois CDs, um DVD e uma coletânea, se prepara para lançar o terceiro disco, com recursos do Financiarte. Celebrando 15 anos de carreira, “La Bella Polenta” será apresentado ao público no dia 11 de novembro, às 20h, na Casa da Cultura, em Caxias do Sul.

“A gente observa que muita gente que faz pesquisa para nos contratar procura por algo mais folclórico. Com esse CD, teremos esse registro de canções, apesar de que 30% do nosso repertório já é folclórico, ainda que as pessoas nos identifiquem mais pelo lado da sátira”, diz Denival Silveira, tecladista e acordeonista.

Além das faixas do folclore italiano, no final do ano passado, com o projeto já no processo de gravação, os integrantes do grupo descobriram durante um baile em Antônio Prado que havia uma música chamada, justamente, Zo Scarpon. Composta ainda em 1988 por Ivo Gasparin, do grupo Ricordi de Flores da Cunha, eles conseguiram incluir essa faixa autoral no CD, totalizando então 14 músicas.

Com direção e produção musical de Magnos Gasparini, que teve toda liberdade para inovar, o disco deve surpreender o público, já que a sonoridade vem com notas e arranjos mais elaborados de velhas canções conhecidas por todos que moram na região. Para Ben-Hur, foi um desafio e tanto gravar este CD em termos de técnica vocal, já que segundo ele as músicas vão soar diferente nos ouvidos de quem já conhece o repertório.

Apesar do nome Zo Scarpon nos remeter diretamente ao idioma italiano, as canções do grupo também são interpretadas com outros sotaques como o polaco, o alemão e o português, e sempre tiveram a intenção de homenagear as pessoas do interior, que migraram das colônias para as cidades sem se desligarem de suas origens e raízes.


LANÇAMENTO DO CD “LA BELLA POLENTA”
Dia: 11/11/17, às 20h, no Teatro Municipal Pedro Parenti • Caxias do Sul
Ingressos: R$ 10 (estudantes e sênior) e R$ 20 (público em geral)
À venda na ILAM Escola de Música (Rua Sinimbú, 1294 • sala 4 • esquina com Guia Lopes • 3027.2500), das 9h às 21h, e na Casa da Cultura, das 9h às 17h.

OS COLONOS ZO SCARPON • Luis Rossa (Didio), no baixo; Ederton Pezzi (Nenê), na bateria; personagem Zudite, no back vocal; Ben-Hur Toledo (Sabugoo), no vocal; Claudio Silva (Alemon), na guitarra e Denival Silveira (Nani), no teclado e acordeon.

DISCOGRAFIA • Formado por ex-integrantes de grupos conhecidos como Ego Mecanóide, Itamone, Os Bertussi e Ricordi, Os Colonos Zo Scarpon foi criado em 2002 em Caxias do Sul. Um ano depois eles lançaram o primeiro CD, intitulado “Goma de Mascar”, durante seu primeiro show, nos Pavilhões da Festa da Uva. A proposta foi inovadora, já que o maior desafio era unir a música e o teatro a uma linguagem cômica, com sotaque do dialeto italiano, típico do interior da Serra gaúcha. Desde então, o grupo vem realizando apresentações em feiras, festas e eventos em várias cidades do Sul do País. Em 2008 veio o segundo CD, “Minhas Origens”. Em 2011 eles lançaram um DVD de oito videoclipes, onde os músicos atuam como atores de suas próprias canções. Em 2016 lançaram uma coletânea de 21 músicas já registradas nos dois discos anteriores.

OUTRAS INFORMAÇÕES • CONTATOS PARA SHOWS
Denival Silveira
Tecladista e acordeonista
54 3027.2500 • 54 99997.0069
zo.denival@gmail.com
www.zoscarpon.com.br








 
         
DOCUMENTÁRIO SOBRE O SARAU JAZZ SERÁ LANÇADO EM ABRIL
 
 Vídeo relembra os seis anos do projeto e a história do jazz

Referência absoluta em Caxias do Sul no jazz, o guitarrista Fernando Aver encara o gênero como uma forma de livre expressão. “Eu tenho uma dificuldade incrível de tocar algo literal, estilo cover. No jazz cada vez que você toca uma música ela vai sair de um jeito diferente”, afirma. Tamanha paixão pelo jazz e toda sua versatilidade sonora deu origem a um dos projetos de música mais interessantes da cidade: o Sarau Jazz.

Com entrada franca, o projeto na área do jazz e da música instrumental acontece em Caxias desde 2010, uma vez por mês na escola de Fernando, a Acordes Jazz Atelier Musical (Rua 13 de Maio, 1392), reunindo alunos, músicos, amigos e admiradores do gênero. “Ainda temos poucos espaços para tocar jazz aqui, então a ideia do sarau veio muito disso. É um encontro musical, mas também didático, com projeções de imagens de fatos e grandes artistas do jazz. As pessoas aprendem, tocam, se divertem”, complementa Aver.

Do êxito do sarau surgiu a iniciativa de fazer um documentário sobre estes encontros. O doc terá sua primeira exibição no mês de abril, quando o jazz completa 100 anos. Com financiamento da Lei de Incentivo à Cultura de Caxias do Sul e apoio cultural das Empresas Randon, “Sarau Jazz – Onde a música acontece!” será lançado no dia 26 de abril, às 20h, na Sala de Cinema Ulysses Geremia do Centro Municipal de Cultura Ordovás.

O documentário traz depoimentos do núcleo fundador do sarau (o músico Fernando Aver e a cantora Mirta Gomez), além de outras 24 pessoas que participaram do encontro durante esses seis anos (incluindo músicos profissionais e amadores, professores de música, artistas, estudantes, profissionais das mais diversas áreas), ressaltando a importância do evento para a construção de público, além de provocar a formação de músicos de jazz.

Com direção de Le Daros, o documentário também conta a história do gênero, tratando de elementos essenciais - incluindo seus protagonistas, artistas homenageados pelo sarau como Miles Davis, Pat Metheny, Billie Holiday, Charlie Parker, entre outros. Para o diretor, o jazz vai na contramão do que se vê hoje em termos de tendências na música. “Hoje a música popular, via de regra, é plastificada, produzida exatamente dentro de alguns moldes industriais. Se pegarmos 30 músicas executadas nas rádios, 10 têm harmonias praticamente iguais e/ou o mesmo arranjo. Já o jazz trabalha na busca de uma linguagem própria, além de sempre estimular o improviso. O músico pode (re)criar na hora, no seu momento e isso é completamente o oposto do rumo que a música vem tomando. Por isso é importante trabalhar esse conceito que o jazz traz, batalhar para preservá-lo, incentivá-lo. O documentário vai mostrar tudo isso”.
 
DOCUMENTÁRIO “SARAU JAZZ - ONDE A MÚSICA ACONTECE!”
Produção, roteiro e direção: Le Daros
Edição e finalização: Lorena Marcos
Diretor de fotografia: Gustavo Lopes
Captação de áudio: Edson Fulber – ELF
Assistente de produção: Rodrigo Motta
Produção executiva: Mirta Gomez
Produção musical: Fernando Aver

DURAÇÃO: 36 min.

OUTRAS INFORMAÇÕES | ENTREVISTAS
Le Daros | Produtor audiovisual
54 99973.7391
Fernando Aver | Músico e professor
54 99122.7046 | WhatsApp: 54 99179.2459
 
         
INSTALAÇÃO ARTÍSTICA MARCA OS 10 ANOS DA CIA. MATHEUS BRUSA
 
 Com importantes prêmios nacionais, a companhia de dança criada em Caxias do Sul se destaca pela mistura estética e poética de movimentos corporais a elementos cênicos

Para marcar um período de 10 anos de significativas conquistas e reconhecimento na área da dança no Brasil, a Cia. Matheus Brusa, de Caxias do Sul, prepara uma instalação artística confirmada para permanecer de 12 a 28 de agosto no primeiro piso do Shopping San Pelegrino. Com recursos do Financiarte, a mostra terá a atmosfera e a linguagem que caracterizam o trabalho da premiada companhia de dança contemporânea.

A exposição será composta por cenários, figurinos, fotografias, iluminação, vídeos e instrumentos musicais, tendo o caráter de uma mostra interativa. “Os vídeos estarão passando durante toda exposição, em looping, e serão compostos por partes do arquivo coreográfico, assim como um vídeo release, que contará com depoimentos dos bailarinos e músicos da Cia., de professores e incentivadores, produzido exclusivamente para marcar esta primeira década de atuação”, conta a produtora cultural Katherine Brusa.

No mesmo ambiente da instalação, o elenco da Cia., formado por Daiane Kerber, Isadora Martins, Diego Santos e Natália Colombo estará apresentando alguns dos trabalhos cênicos já realizados, instigando o público a permear entre as obras. Dentre as pesquisas coreográficas selecionadas para participarem da mostra estão Arvisível (vídeodança), Excesso (vídeodança), Léxico, Electrões, Osteócitos, Sistema Colateral, Centímetro e Gaudério.

“A Cia. entende que o formato de exposição vai proporcionar ao público visualizar e perceber o trabalho de outra forma, afinal estaremos fazendo uma inversão de contexto, ou seja, é a área do movimento inserida em uma atmosfera de artes visuais, de exposição artística de obras fixas que, no caso, são flutuantes”, explica o diretor Matheus Brusa.

A instalação artística e interativa vai permanecer aberta à visitação do público no horário normal de funcionamento do shopping, das 10h às 22h, e terá uma série de fotografias de algumas das coreografias de maior destaque do grupo, registradas por vários profissionais da área, como Maurício Concatto, Claudio Etges, André Susin e Antonio Carlos Lorenzett.

MAIS SOBRE A CIA. MATHEUS BRUSA – Fundada em 2006 através do estudo da fusão de linguagens artísticas, a Cia. Matheus Brusa atua como companhia de arte contemporânea tendo como foco a dança com considerável influência das artes plásticas, do vídeo e da trilha sonora específica, sendo quase em sua totalidade executada ao vivo em suas apresentações. Em seu repertório, conta com a montagem de 10 espetáculos com suporte em mais de 30 pesquisas móveis, flutuantes e abertas a atualizações. Ao longo de 10 anos conquistou vários prêmios, dentre eles a aprovação de projetos em seis editais Financiarte (Prefeitura de Caxias do Sul), três prêmios no edital Klauss Vianna – Funarte e dois projetos aprovados nos programas Dança e Videodança do Rumos Itaú Cultural. Entre os eventos em que participou como Cia. convidada estão o Porto Alegre em Cena, a Mostra Estímulo e a Noite dos Campeões do Festival de Dança de Joinville, com apresentaçoes no Teatro Juarez Machado, em Joinville e no Teatro Ibirapuera, em São Paulo, além da Mostra Internacional de Dança, em Capinzal.

 
ENTREVISTA COM MATHEUS BRUSA

A dança contemporânea tem mais autonomia em relação às outras modalidades, incluindo métodos e procedimentos de pesquisa, e não necessariamente técnicas definidas e movimentos específicos. Como tu percebes a evolução do teu próprio trabalho e dos integrantes da Cia Matheus Brusa?

Matheus Brusa: O início da companhia foi bastante intuitivo tanto na questão de pretensões profissionais de estrutura, quanto nas questões da contemporaneidade em relação a processos de pesquisa e composição. Como consequência da pós modernidade, fui experimentando na companhia. Os primeiros trabalhos tinham um caráter de virtuosismo e condicionamento físico, mas também um caráter mais híbrido, numa fusão da dança com o teatro. Quando comecei a compreender melhor as questões da dança contemporânea, pude iniciar um processo que considero interminável: o do equilíbrio entre as questões necessárias para esse gênero. Muitas das pesquisas nos acompanham desde o primeiro ano de fundação da companhia, nos fazendo perceber qual a linha estética e de pesquisa da companhia. A pesquisa que mais me auxiliou nessa consciência de composição artística foi ‘Centímetro’, pois a partir dela consegui perceber melhor que trabalhávamos não só com hibridismo e mestiçagem de linguagens, mas também com pequenos movimentos, assim como pequenos corpos como, por exemplo, mãos, pés e rosto, que são corpinhos dentro de um grande corpo e que tem um potencial muito forte. Isto nos auxiliou a entender que a evolução dos bailarinos dentro da companhia vem automaticamente acompanhada deste isolamento por obra, ou seja, trabalhar com partes isoladas do corpo, mapeando as coisas separadamente e tirando um pouco da ansiedade da companhia como um todo, entendendo que a dança trabalha com movimento.

Que importância a Cia tem para a formação dos bailarinos?

MB: Acredito que a companhia seja de extrema importância para os bailarinos que trabalho ou já trabalhei, não só pela questão citada acima, mas também por deixar bem claro o que se pretende em cada pesquisa, essa abertura para algo constantemente mutável, sempre através de um alto nível de aprofundamento nas temáticas abordadas, sendo então trans-formador considerável para intérpretes criadores.

Quais situações e/ou momentos foram um "divisor de águas" no trabalho da Cia?

MB: A evolução vem numa constante bastante linear desde 2006, porém, temos alguns momentos que realmente ficam em destaque na história da companhia. Em 2007 iniciei meu segundo solo como intérprete criador, baseado em um texto de um dos livros do filósofo e escritor Gilmar Marcílio, e que está presente nas obras da companhia durante os 10 anos. Este trabalho intitulado ‘Silêncio dos Fatos’ foi a primeira obra da companhia a possibilitar visibilidade e consistência da assinatura artística do trabalho, pois a mesma foi selecionada em dois importantes contextos da dança brasileira: o Festival de Dança de Joinville, tendo um caráter mais popularizado e comercial, e o programa Rumos Dança do Itaú Cultural, com um caráter mais conceitual. Em outro momento, no ano de 2008, fomos contemplados com o primeiro dos atuais três prêmios Klauss Vianna da Funarte. O projeto chamava-se ‘Bipolar’ e tratava das questões da temperatura na influência de corpo e, consequentemente, de uma sociedade. Foram quatro apresentações em Caxias do Sul e quatro em Salvador, sendo esta a primeira possibilidade da companhia levar o seu trabalho para além da Região Sul. Outra parte importante da nossa história foi no ano de 2009, onde fomos selecionados para o Rumos Vídeodança do Itaú Cultural. Além de poder levar nosso trabalho para São Paulo, tive a oportunidade de participar de um curso com um dos grandes nomes do gênero, a inglesa Miriam Pennel. Durante o próprio Itaú Cultural, deu-se início a produção de um novo vídeodança e ambos foram selecionados para o Dança em Foco, que levou os vídeos nomeados ‘Arvisível’ e ‘Excesso’ para mais de 15 países. Em 2012 recebi o prêmio de Coreógrafo Revelação do Festival de Dança de Joinville, que me proporcionou a ida para França para acompanhar a Bienal de Dança de Lyon (uma das principais bienais de dança do mundo). No Festival de Joinville de 2014, a companhia encerrou sua participação em concursos de dança, conquistando inúmeras premiações, todas elas de primeiro lugar. Neste mesmo ano, o festival selecionou a companhia para participar como convidada da primeira Mostra Estímulo de Dança. Abrimos a mostra e fomos um dos destaques, passando por mais uma peneira e sendo novamente selecionados, neste caso para dançar o mesmo trabalho no Teatro do Ibirapuera, em São Paulo, por meio de uma parceria entre Itaú Cultural e Festival de Joinville. Em 2014 e 2015 fomos novamente contemplados com o prêmio Klauss Vianna de Dança, da Funarte, sendo o trabalho ‘Centímetro’ como montagem e o trabalho ‘Gaudério’ para circulação neste ano de 2016.
 
Que marca o teu trabalho e a Cia. Matheus Brusa já vem deixando no cenário artístico nacional?

MB: Acredito que a Cia. tem algumas questões a acrescentar na dança brasileira, pois percebo a nossa pesquisa com trajetórias bastante peculiares, resultando em pesquisas com uma forte assinatura. Somos bem criteriosos em processos de pesquisa, elementos cênicos, trilha sonora específica, iluminação e corporeidade. Acredito que a companhia venha cumprindo importantes papéis pra dança no Brasil, no Rio Grande do Sul e em Caxias do Sul. Um deles foi enquanto participava de eventos competitivos quebrando com inúmeros paradigmas de configurações de dança contemporânea específicas para um evento ou outro, mostrando que é possível inserir diferentes estéticas e poéticas no ambiente competitivo de dança, ampliando assim as possibilidades de compreender inclusive o que pode vir a ser dança e o que é dança em si, assim como quais suas funções e que caminhos podemos perceber atualmente para ver um futuro nesta dança brasileira.
 
Cia. Matheus Brusa | 54 3222.5338
Av. Júlio de Castilhos, 108 (esquina do Colégio Madre Imilda)
Matheus Brusa | diretor | 54 9183.9102
Katherine Brusa | Produtora Cultural | 54 9102.0236
 


 
         
PROJETO ESTÍMULO SELECIONA ESTUDANTES
 
 Seleção acontece no dia 13 de março no Ballet Margô

A história daquele que viria a se tornar um dos projetos mais interessantes de incentivo à arte de Caxias do Sul começou em 2010, quando o Ballet Margô – tradicional escola de dança da cidade - selecionou 29 estudantes de escolas públicas para aprendizagem gratuita de dança. Naquele ano, eles participaram do espetáculo da escola intitulado “Bonecos – Sonhos e Memórias”. A intenção de oportunizar bolsas de estudo de dança deu tão certo que dois anos depois, em 2012, saía do papel o projeto cultural Estímulo, que chega a sua segunda edição.

Para participar da audição, que acontece no próximo dia 13 de março, às 14h na sede da escola de dança (Av. Júlio de Castilhos, 108 – esquina do Colégio Madre Imilda), é necessário apresentar documento de identificação, comprovante de matrícula em escola pública, roupa adequada, além de estar acompanhado de um responsável. Podem se inscrever crianças e adolescentes que têm entre oito e 14 anos de idade. Importante ressaltar que os selecionados deverão comprovar, ao longo das aulas de dança, o bom desempenho escolar.

“O primeiro fator interessante desse trabalho todo é o comprometimento. Eles têm e precisam ter responsabilidade, essencial no aprendizado da dança. Eles chegam com pouca experiência e surpreendem”, destaca Katherine Brusa, produtora cultural, diretora artística do Ballet Margô e idealizadora do projeto.

A exemplo do primeiro processo seletivo realizado há dois anos e que, coincidentemente, contemplou outros 29 estudantes, este também conta com recursos do Financiarte. Conforme Katherine, o Estímulo também tem o objetivo de instigar o aproveitamento artístico e cultural da cidade, estimulando a formação de público. “Desde o início, a experiência vem sendo ótima, pois novos talentos foram descobertos. As crianças e os adolescentes que continuam conosco estão aqui porque merecem”, diz.

Nesta nova etapa, o projeto vai oferecer 20 bolsas integrais e outras 10 parciais de aprendizagem gratuita nos estilos Balé Clássico, Contemporâneo e Hip Hop a estudantes matriculados em escolas públicas de Caxias do Sul. “A partir deste ano, criamos bolsas parciais porque precisamos verificar qual é, de fato, a condição financeira dos inscritos para contemplar com a bolsa integral aqueles que realmente não tem como arcar com nenhuma despesa”, esclarece a produtora cultural.
Além das aulas no Ballet Margô, o Estímulo também incentiva os bolsistas a participarem de atividades culturais da cidade, através de espetáculos, mostras e feiras de todos os gêneros artísticos.

OUTRAS INFORMAÇÕES
Ballet Margô | 54 3222.5338

Av. Júlio de Castilhos, 108 (esquina do Colégio Madre Imilda)
balletmargo@gmail.com
www.balletmargo.com.br
Katherine Brusa | Produtora Cultural
54 9102.0236
 
         
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